David Coimbra, hoje, em sua página no facebook, diz o seguinte: “o trabalhador mesmo”, aquele “que acorda às seis da manhã, toma um café preto com pão com manteiga, dá um beijo nos filhos e sai para o trabalho... esse trabalhador não queima ônibus.”
Aí eu fico me perguntando que fantástica faculdade a desse senhor que não só é pródigo em matéria de migração para os profundos das gentes que ele só conhece de longe e “en passant” (quando engraxa os sapatos na rua da praia ou troca uma ideia rápida esvoaçante com o vigia terceirizado dos condomínios que frequenta) como também, não satisfeito, ainda se dá o direito de outorgar a essas pessoas uma idealização romântico de um tipo de trabalhador-ordeiro que não pode sentir ódio nem nenhum tipo de desamparo diante de uma realidade que lhe esmaga e lhe ameaça de escopeta e carro blindado todos os dias.
Que história é essa, seu David Coimbra?
Quem é o senhor mesmo pra saber o que se passa lá nos escuros de uma mãe-órfã, dessa terrível orfandade às avessas que é perder um filho?
O que o senhor sabe dos medos dos amigos da escola que ainda vão se lembrar muito do Ronaldo em cada “breti” dos “hômi” na largueza das horas escuras e pelos becos que o senhor não frequenta nem nunca vai frequentar?
E a solidão dos primos, da namorada, da parentada toda, seu David?
Quem é o senhor, seu David?
Dê-se o respeito, seu David, e nos mostre que o senhor pode ser melhor que o seu antecessor.
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