Um mesmo
arranjo feliz e cheio de coincidências.
Do dia em
que partiste, em diante
um grande
silêncio se instalou.
Calou,
solene, toda relutância,
e o tempo,
não-linear, [não há o que retroceder]
seguiu, à
espreita,
aprofundando
os profundos da gente.
Te vejo
ainda desde um casa antiga,
no alto do
morro e de frente para o mar:[“daqui estou vendo o amor”].
Feito
andorinha, viaja fácil
como que trazendo
lá do fundo [e pelo bico]
Sal, ânsia e
brisa marinha.
Unindo numa
mesma forma, portanto
Tudo o que
se deseja e o que se teme.
Pelo céu
desenha
um longo e
necessário vôo indiscernível,
e alguma
saudade.
Lá onde a
vista já não alcança.
Ainda te
lembras do nosso banco?
Aquele de onde
se via um jardim?
Desses lentos,
de quem só se
senta por ali
que é pra
ver pairar, breve e a contento
Sobre o
jardim, uma janela circular.
De onde te
encontras agora,
[Vestida ou
não de mim]
tu ainda
podes vê-la?
Senão, te recordo aqui: apesar das grades,
era de um azul-e-branco
que era céu e mar.
Através dela,
um “isto foi” ocêanico;
Como teus dois grandes olhos breves que,
com mirada de argonauta,
souberam desarmar, demoradamente
e para sempre
todos meus rigores
e para sempre
todos meus rigores
um a um.
Daquele tempo,
sob o banco e flutuando pelo jardim,
sob o banco e flutuando pelo jardim,
relógio
nenhum se ocupou;
se as horas
são mesmo ofício de ponteiro
daquelas cinco
só o que ficou,
foi o amendoeiro.
foi o amendoeiro.
Que segue lá, aliás, sobranceiro.
Se vive, é
porque lembra.
[a coragem
aqui
- e em lugar nenhum -
não basta
- e em lugar nenhum -
não basta
para que se
aprenda a esquecer].
Daquelas
cinco horas sabe-se pouco, enfim.
Apenas que foram
alegres, breves e amáveis.
Mal sabiam que
já anunciavam
o inevitável
se-ir do viver que viria:
de quem cai
sem querer cair,
num abismo-labirinto,
de estrelas.
De dia, rio-abaixo
De noite,
escuridão:
é feia a
força do sofrer da gente:
Mas [na terceira margem] e ainda,
milagres por toda parte: gratidão.
Nosso amor
careceu de ser,
espécie de amor
preterido, feito “drão”:
foi sem querer
ter ido.
Mesmo assim,
[valeu o baião].
é que eles
todos carecem de ser assim mesmo:
vida é sorte-perigosa
acalanta
aqui, engrossa ali.
É? não-é: imenso
indiscernível.
Grande monolito.
Ínfimo que
escapa,
imenso e intransferível:
não pertence
a ninguém
Pela vida
afora e para dentro
esse vagar enorme
o que faz mesmo é
silêncio. Enorme, não vai embora nunca
silêncio. Enorme, não vai embora nunca
sem fim e chegando
sempre:
a gente
mesmo.
Apaixonante
caminho sem volta.






