domingo, 20 de setembro de 2015

LXV - Cem Sonetos de Amor (Neruda)

Matilde, onde estás? Notei, para baixo,
entre gravata e coração, acima,
certa melancolia intercostal:
era que de repente estavas ausente.

Fez-me falta a luz de tua energia
e olhei devorando a esperança,
olhei o vazio que é sem ti uma casa,
não ficam senão trágicas janelas.

De puro taciturno o teto escuta
cair antigas chuvas desfolhadas,
plumas, o que a noite aprisionou:

e assim te espero como casa só
e voltarás a ver-me e habitar-me.

De outro modo me doem as janelas.

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