segunda-feira, 22 de junho de 2015

Entre um homem e outro; a palavra.

Resolvi reativar este blog. 
É preciso seguir;
segui-lo, seguir-nos; 
se-ir.
Seguir, simplesmente.

O retorno à pluma já não é uma escolha; é imperativo.
Uma condição sina qua non para que a vida permaneça.

Imperador de um império decadente,
vi-me de repente mudo.
como um soldado que
de volta do front
não tem nada a contar.
Mudo, simplesmente.

O mar que circunda o reino já esteve mais calmo.
Meu litoral, mais ameno.
Arredio, o mar tem deixado sua marca violenta na areia
que diz, pelos imensos declives da orla
que a vida por aqui já foi mais leve.

Os ventos de hoje são de lestada forte
Crispam o mar.
A nonada serena ficou pra trás
e, apesar de tudo, ainda bem.
A pluma não lamenta, festeja.
A nonada é que é triste,
No-nada: isto não é nada.

O festejo, no entanto, é paradoxo 
ou nem isso, um festejo-fúnebre.
no "devagar com a dor"
o que ele pede é calma.

Utopia, evidentemente,
"acalmar-se" designa um vir-a-ser-impossível por aqui:
"quem tem alma não tem calma".
Trata-se de um festejo utópico.

Como no funeral de um ente querido,
no qual a grande convidada
é a ausência mesma -
e do qual não se pode partir de verdade:
uma utopia que ninguém confessa.

(Ou vocês nunca se fizeram essa pergunta-suspensa
ante ao defunto ignóbil:
como pôde todo um alagado
caber aqui nesta bacia?)
Festejo-fúnebre; utópico.

A alma do reino tem sido abundante.
Sempre muito pródiga em preencher vazios,
produzir potências e mendigar abismos para...
...logo ali em diante
afundar-se. 

Apenas para que no instante seguinte 
desde o fundo mais fundo de uma profundidade 
feita de escuridão, água e silêncio 
gritar.

Um grito de desespero
que clama,
pelos escafandristas
(sempre tão prestativos no seu socorrer)
para que, a-final, o “se-ir” do viver
não se vá jamais,
ou que, vá-lá, não se vá ainda;
e que um novo início tome de assalto
o lugar de um final que ainda não é.
Santos escafandristas.

Escafandrando a vida,
a-colhendo os gritos
de um Imperador-mudo que,
nu em sua mudez,
preso em um tempo-suspenso,
pode permanecer, enfim,
a brincar de Deus.

Divino que é, a produzir instantes
que se seguem
e estes, 
furados que são,
a construir bordas que se curvam,
convergentes
como querendo formar (ab)ismos.

E no interior "disto"
- (ab)ismos - 
é a vida que permanece:

contente por poder seguir.



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